De olho em 2026, deputados aprovam isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil e dão vitória ao governo Lula
Por redação Amazônia Realidade
Sob forte pressão popular e de olho nas urnas de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade (493 votos a favor), nesta quarta-feira (1º), o Projeto de Lei 1087/2025, que isenta do Imposto de Renda trabalhadores formais que recebem até R$ 5 mil por mês e reduz, de forma progressiva, a alíquota para quem ganha até R$ 7.350. A proposta, enviada pelo governo Lula, agora segue para o Senado Federal.
A votação expressiva representa uma vitória política incontestável do Palácio do Planalto e acende um alerta entre parlamentares: negar justiça tributária à população pode ter custo alto nas eleições de 2026.
Apesar de articulações da oposição para alterar o texto, o resultado foi uma demonstração de força do governo, que conseguiu unificar até bancadas que tradicionalmente lhe fazem oposição. A relatoria do projeto ficou a cargo do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em mais um gesto de aproximação institucional com o Executivo.
“São 15 milhões de brasileiros beneficiados. Sabe quantos vão pagar mais? Apenas 141 mil pessoas, ou seja, 0,06% da população”, destacou o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). “Parabéns Lula, parabéns a esse parlamento. Esse país vai crescer, e vai no caminho certo”, completou.
Peso das ruas e cálculo político
A base governista atribuiu parte da vitória à mobilização popular recente, que aumentou a pressão sobre parlamentares indecisos. Segundo o deputado Alencar Santana (PT-SP), muitos deputados que vinham resistindo à proposta votaram a favor por constrangimento político.
“A manifestação de dois domingos atrás assustou parte da Casa. Teve muito deputado que votou quieto, quase envergonhado, porque não queria dar essa vitória ao governo. Mas a força do povo falou mais alto”, afirmou Santana.
A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) também criticou a demora na votação e reforçou que a medida só avançou por pressão da sociedade civil:
“Esse projeto estava engavetado há meses. A mobilização popular contra a anistia e a PEC da impunidade ajudou a destravar essa pauta. Que seja o começo de uma verdadeira justiça tributária.”
Reação da oposição e mudanças no texto
Mesmo votando a favor do texto-base, a oposição tentou esvaziar o projeto com uma série de emendas, incluindo a retirada da compensação pela perda de arrecadação. Uma das emendas mais agressivas partiu do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do Partido Liberal, que buscava reduzir contrapartidas do governo para estados e municípios. Todas as alterações foram rejeitadas ou consideradas inconstitucionais por falta de previsão fiscal.
Arthur Lira, que relatou o texto, justificou a rejeição:
“Muitas emendas até tinham mérito social, mas não podiam prosperar por não apresentarem cálculo de impacto. Isso é o básico da responsabilidade fiscal.”
Principais ajustes aprovados no texto final
Durante a articulação final, líderes partidários e o governo acordaram cinco mudanças estratégicas no texto:
Regras mais claras sobre contrapartidas do ProUni para faculdades privadas;
Garantia de repasses a municípios afetados por perda de arrecadação;
Exclusão de taxas judiciais da base de cálculo da tributação de cartórios;
Inclusão de fundos de debêntures incentivadas de infraestrutura;
Definição de que a tributação de dividendos só valerá a partir de 1º de janeiro de 2026, com regras de transição para empresas que ainda não distribuíram lucros.
Governo celebra vitória simbólica e estratégica
Para o governo, a aprovação unânime marca um ponto de virada na agenda econômica e social do país. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, foi pessoalmente à Câmara acompanhar a votação e destacou o caráter histórico da decisão.
“É o início de um processo de justiça tributária no Brasil. Os mais ricos começam a contribuir mais, e o povo trabalhador começa a ser desonerado. É um dia histórico”, disse.
Com o avanço no Congresso, Lula cumpre uma promessa de campanha e ganha fôlego político em um momento crucial de seu mandato. Já os deputados — mesmo os contrários — entenderam o recado das ruas: negar um alívio fiscal ao trabalhador pode custar caro em 2026.
Fonte: Câmara dos Deputados
Foto: Reprodução / TV Câmara




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