O adeus que ecoa na natureza: morte de Gramma reforça urgência na conservação da biodiversidade

O adeus que ecoa na natureza: morte de Gramma reforça urgência na conservação da biodiversidade

Tartaruga-gigante-de-Galápagos viveu 141 anos e deixa uma poderosa lição sobre longevidade, equilíbrio ambiental e o grito de socorro do planeta


Por Redação | Amazônia Realidade

A morte de Gramma, a tartaruga-gigante-de-Galápagos mais longeva do Zoológico de San Diego, nos Estados Unidos, marcou não apenas o fim de uma vida extraordinária, mas também reacendeu o alerta global sobre a importância da preservação da biodiversidade. Com cerca de 141 anos, Gramma se tornou um símbolo de resistência, equilíbrio ecológico e do impacto direto das ações humanas sobre a vida no planeta.

Nascida em seu habitat natural nas Ilhas Galápagos, Gramma integrou um dos primeiros grupos de tartarugas que chegaram ao Zoológico do Bronx entre 1928 e 1931, antes de seguir para San Diego. Lá, tornou-se um ícone vivo, admirada por gerações. Sua rotina simples, baseada em alface romana e frutos de cacto, refletia o ritmo lento e sábio de uma espécie que há séculos ensina ao mundo sobre paciência, resiliência e convivência harmoniosa com o ambiente.

Uma testemunha silenciosa das mudanças no mundo

Dócil e tímida, Gramma foi chamada por seus cuidadores de “rainha do zoológico”. A tartaruga atravessou momentos cruciais da história da humanidade: sobreviveu a duas guerras mundiais, acompanhou a passagem de 20 presidentes norte-americanos e testemunhou a evolução da sociedade moderna diante da crise climática — uma crise que, hoje, ameaça diretamente a existência de espécies como a sua.

Visitantes que acompanharam sua trajetória ao longo das décadas lamentaram sua partida. Muitos lembraram a primeira vez em que viram Gramma ainda na infância, retornando anos depois com seus próprios filhos. Histórias como a de Cristina Park, de 69 anos, mostram como um encontro com uma tartaruga pode despertar vocações, inspirar cuidados e reforçar o respeito pela vida selvagem.

Longevidade que inspira e alerta

As tartarugas-gigantes das Galápagos podem viver mais de 100 anos na natureza e até o dobro em cativeiro. Um dos casos mais marcantes foi o de Harriet, que viveu 175 anos no Zoológico da Austrália. Espécies tão longevas carregam consigo a memória viva dos ecossistemas — mas também denunciam, com seu desaparecimento, a urgência da preservação.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), das 15 subespécies ainda existentes nas Galápagos, todas são consideradas vulneráveis ou ameaçadas de extinção. A perda de habitat, o avanço das mudanças climáticas, a emissão desenfreada de gases poluentes e a pressão humana sobre áreas naturais colocam esses animais em risco real.

Uma lição que ressoa na COP 30: o planeta pede socorro

A morte de Gramma ocorre num momento em que o mundo discute, como recentemente na COP 30, a transição urgente para fontes de energia renovável, a redução das emissões globais e estratégias de adaptação climática. A trajetória dessa tartaruga centenária reforça uma lição essencial: espécies antigas, que sobreviveram a séculos de transformações naturais, hoje lutam para resistir aos impactos provocados pelo próprio homem.

Gramma se tornou mais que um símbolo das Galápagos — tornou-se um lembrete de que a vida na Terra é frágil, preciosa e depende de escolhas responsáveis. A história dessa tartaruga-gigante é, agora, um chamado para que governos, empresas e sociedade assumam compromissos reais com a conservação.

Porque, enquanto uma tartaruga que viveu 141 anos se despede, o planeta inteiro continua pedindo socorro.

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