Desembargadora do TRF-1 substitui prisão preventiva por medidas cautelares; caso do Banco Master pode atingir figuras de alto escalão da política nacional
Por Redação | Amazônia Realidade
Brasília (DF) - A decisão monocrática da desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), mudou o rumo de uma das investigações financeiras mais sensíveis do país. Nesta sexta-feira (28), a magistrada determinou a revogação da prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, mas impôs uma série de medidas cautelares rigorosas que deverão ser cumpridas imediatamente. A investigação, que já abalou estruturas do mercado financeiro, pode agora avançar sobre grandes nomes da política brasileira, segundo apuração de bastidores.
De acordo com a decisão, Vorcaro será liberado, porém obrigado ao uso de tornozeleira eletrônica, restrição de deslocamento, ficando proibido de deixar o município onde reside, além de estar impedido de manter qualquer tipo de contato com outros investigados no esquema sob análise da Polícia Federal.
O empresário foi preso no dia 18 de novembro, no Aeroporto de Guarulhos, apontado como figura central da investigação que apura suspeitas de fraudes bilionárias na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). A operação indica que títulos de crédito supostamente falsificados teriam sido usados para inflar ativos e movimentar grandes somas sem lastro real.
A decisão da desembargadora também beneficiou outros quatro investigados, cujas prisões preventivas foram revogadas. Segundo o TRF-1, o conjunto de medidas alternativas é suficiente neste momento para garantir o andamento das investigações.
O caso que pode respingar na política nacional
A prisão de Vorcaro ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero, que desmantela um suposto esquema de emissão de créditos insubsistentes por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional. As suspeitas levantadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal indicam que o esquema pode envolver interesses políticos e relações institucionais sensíveis, o que coloca o caso no radar de autoridades em Brasília.
A operação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Distrito Federal. A investigação teve início após pedido do Ministério Público Federal, em 2024, para apurar indícios de que carteiras de crédito teriam sido produzidas sem lastro real e posteriormente vendidas a outro banco. Depois da fiscalização do Banco Central, esses ativos foram substituídos por outros sem avaliação técnica adequada.
Os investigados podem responder por gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros crimes previstos na legislação financeira.

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