A música na visão de uma mulher Kokama: Antropologia Arte e Resistência é o tema abordado na dissertação de mestrado da indígena Kokama, Perpétua Cerqueira-Suni, de 50 anos.
Esta será a terceira vez na história do povo Kokama que uma mulher indígena vai defender uma dissertação de mestrado.
O feito, por si só, já deve ser considerado grandioso, principalmente, se levarmos em consideração que somente aos 22 anos de idade a autora da dissertação de mestrado conseguiu aprender a ler.
"Eu nasci na comunidade Recreio no Solimões, mas me criei na comunidade Maria José que fica no rio Içá. Quando eu cheguei em outra comunidade eu vi um professor dando aula e perguntei ao meu pai o que eles estavam estudando e foi ali que me despertou a vontade de aprender mais. Eu tinha 21 anos e não sabia ler, tive que sair da aldeia e ir para a sede do município de Santo Antônio do Içá. Já com quase 22 anos me mudei para Manaus e fui morar em casa de família e eu agradeço muito por isso, hoje concluindo meu mestrado", disse.
O tema da dissertação remonta ao passado das mulheres indígenas da etnia Kokama que sempre usaram a música nativa como um incentivo às mais variadas tarefas diárias, como por exemplo: a retirada do barro para fazer potes e panelas, a queima do barro no processo de fabricação desses utensílios domésticos, a fornada de farinha de tapioca e muitos outros afazeres.
"A gente cantava e dançava o tempo todo. Meus pais, minha tia e minhas avós faziam isso. Então, como a pandemia não deixou eu ir para o campo eu fiz com minha orientadora um resgate de memória de tudo que eu vivi, trazendo tudo isso na minha dissertação para ajudar outros pesquisadores a conhecerem mais o povo Kokama", argumentou.
A dissertação de mestrado em Antropologia Social, acontecerá às 9h no Centro de Educação a Distância, Bloco N, setor Sul, na Universidade Federal do Amazonas(UFAM), no bairro Coroado, zona Leste de Manaus.
A filha do cacique Cristóvão e de Claudina Kokama está seguindo o seu caminho, continuando o protagonismo da própria história, restagando as raízes tradicionais Kokama, por meio das melodias, encontradas nas canções entoadas ao longo dos séculos por esse povo tradicional do Alto Solimões.

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